segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O pó de que sou feita



Então és capaz de ouvir minha alma
de sentir meu choro
As lágrimas minhas já criaram um oceano, solapado na entranha minha
Afogaram-me
E ainda não percebi que falta o ar em meus pulmões
até tu vistes, tu que nunca me enxergou
Sou completa
Sou completa e sozinha
Sou sozinha para juntar os pedaços meus
Sozinha recomponho os pedaços meus que transformam em poeira
Poeira minha que corre o cosmo do meu Eu
Infinito e vago brilhou, correu, juntou, Fluiu, sumiu   
se esvai pelo corpo meu, todos os pedaços que juntos eram a poeira
A poeira que era Eu

Coisificado


O hoje não cabe escrita
O hoje não cabe inspiração para a palavra minha
Hoje eu não sinto
Nem fingir que sinto sei
Junta
Mistura
Mescla
Complexa
Mixórdia tudo em mim
Coloca raiva, poe
põe dor
Sobrepõe ódio
pousa amor
É tudo coisificado em mim
Manipula o que é coisa em mim

E nota
Nada sinto eu
Capta
Tudo que sou eu
Usa
O que de proveito ainda tiver
Porque eu não existe
Porque eu você não vê

Aquilo que está por decifrar, e não irá
Aquilo que não irá fazer, mas precisa
Aquilo que viu antes do carvão ser cinza
O eterno efêmero

Esse é você não vendo eu

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

perecer


É Incomum a forma como as coisas perecem
estás dentro de mim
Porém hoje tudo padece
Finda aqui meu querer
não cabe agora a mim o sofrer
Não te queria outrora
Não lhe queria de novo e nunca mais
A verdade da mentira que foi
É que tu não me sentiu jamais
Acreditou menos que eu, menos de nós
Acreditou, nunca
Nunca acreditou em nós
O provável era de fato inacreditável
Nunca aconteceu
Somente gravou no peito teu
As coisas acontecem sem perceber
Acabo por te amar repetidamente sem querer
Repetidamente sem saber querendo desisto de você
Desisto de te ter
Desisto de sofrer
Desisto da espera que magoa meu viver
Lembrarei do recurso que tornava o abstrato palpável
Dizendo que foi meu erro não ter te amado
Dizendo que meu erro amado foi tudo lá deixado